Portugal: Privatizando a educación

Portugal: Privatizando a educación
Professores criticam novo modelo de gestão escolar

O movimento de professores "Em Defesa da Escola Pública", que conseguiu reunir 700 pessoas em Leiria no Sábado, aprovou uma moção em que "defende a escola pública e condena o modelo de gestão" proposto pelo Governo.

José Vitorino Guerra, um dos promotores desta nova estrutura, disse hoje à agência Lusa que a moção, a ser entregue a um representante do Governo, "expressa a preocupação pela política educativa e o profundo mal-estar da sociedade portuguesa".

"Este é um movimento apartidário, aberto a todos os cidadãos, que se preocupa com a instabilidade e medo que se começa a viver em muitas escolas por culpa do Governo", afirmou.

Mais de 700 pessoas, na sua maioria professores, reuniram-se sábado em Leiria, no Teatro José Lúcio da Silva, onde discutiram a política educativa, nomeadamente o concurso para professores titulares, o novo modelo de gestão e a forma do processo de avaliação.

"Os participantes discordaram abertamente das intenções governamentais, defendendo que as escolas devem ser tratadas como instituições", disse Vitorino Guerra, lamentando que a "democraticidade interna esteja posta em causa pela Governo".

Este responsável do movimento lamenta ainda que se queira "destruir as escolas públicas, cujo modelo evoluiu e foi corrigido nos últimos 30 anos, abrindo portas à "partidarização" dos estabelecimentos de ensino, através do novo modelo de gestão proposto pela tutela.

"Estas questões têm de ser discutidas e objecto de um amplo consenso", afirmou Vitorino Guerra, sublinhando que "o movimento lamenta estar a agir, mas é preocupante o Governo não estar a governar para os cidadãos".

Para além da moção e de uma petição a entregar na Assembleia da República, os participantes na reunião promovida pelo movimento "Em Defesa da Escola Pública" decidiram pedir uma audiência à Comissão de Educação, no Parlamento, e convocar outros movimentos para se unirem "em defesa da escola pública".

Segundo Vitorino Guerra, a convocatória para a reunião de sábado, que mobilizou mais de 700 pessoas, foi efectuada através da imprensa local e com recurso a meios digitais.

O número de participantes ultrapassou o previsto, obrigando à mudança do local de reunião para o teatro José Lúcio da Silva, que "quase encheu", situação que deixou Vitorino Guerra "satisfeito mas também apreensivo".

"Fiquei satisfeito com a adesão, mas por outro lado a presença maciça revela um profundo mal-estar político e social que é preocupante", referiu à agência Lusa.

De acordo com a imprensa nacional, os professores voltaram sábado à rua, à margem dos sindicatos e convocados por SMS, e-mail e através de blogues, nas cidades do Porto e Caldas da Rainha, em protesto contra as políticas da ministra Maria de Lurdes Rodrigues.

Segundo várias fontes citadas pela imprensa de hoje, cerca de 1.000 docentes manifestaram-se Sábado no Porto e 400 em Leiria.

Açoriano Oriental, 24/02/08