Xosé Manuel Beiras

Xosé Manuel BeirasNado en abril de 1936 en Santiago de Compostela, licenciouse en dereito pola Universidade compostelá en 1957. Estudiou economía na Faculté de Droit et des Sciences Economiques na Sorbonne de París. En 1960 imparte o primeiro curso de Economía Política na Facultade de Dereito da Universidade de Madrid co profesor Prado Arrate. Logo fará estudios na London School of Economics e encargarase da Cátedra de Economía Política da Facultade de Dereito da Universidade compostelá. En 1968 faise cargo da Cátedra de Estructura e Institucións Económicas da Facultade de Ciencias Económicas da Universidade de Santiago e, en 1982, sae elixido decano desta facultade.

En 1970 publica a obra "Estructura y problemas de la población gallega", que consistía na súa tese de doutoramento defendida na Universidade de Sevilla en 1965 e coa cal obtivo o Premio Extraordinario de Doutoramento. En 1973 publica "O atraso Económico de Galicia".

En canto á súa actividade política, é membro fundador do Partido Socialista Galego (PSG) na clandestinidade e participa na creación do Sindicato Obreiro Galego, primeira organización sindical nacionalista. É membro da Asemblea Constituínte do Bloque Nacionalista Galego na primavera de 1982 e é deputado polo BNG no Parlamento galego dende novembro de 1985. Na actualidade, ocupa o cargo de voceiro nacional e deputado do grupo parlamentario do BNG no Parlamento de Galicia e foi presentado como candidato á presidencia da Xunta de Galicia nos vindeiros comicios autonómicos de outubro de 1997.

Imaxe de O Garcia do Outeiro

Antom Fente Parada: Líbia, umha guerra de manual

Antom Fente Parada: Líbia, umha guerra de manual

Caiu Muammar Khadaffi e Europa e os EUA falam de reconstruçom e de grandes somas de dinheiro para reflotar a economia líbia. Podemo-nos sentir fachendosos do bom fazer e obrar dos nossos dirigentes sempre atentes a exportar a "democracia" lá onde o ouro preto sai da terra. Queiramos ou nom a guerra de Líbia, sob a camuflagem de guerra incivil, configura o novo modus operandi  do imperialismo dos direitos humanos. A diferença do iraque supom umha nova forma de interferir num Estado soberano para benéficio das elites ocidentais em que o desgaste do império é menor, a sua imagem nom se resente e os benefícios correrám a regueiros.

A guerra de Líbia é a morte matada da primavera dos povos árabe. Umha dupla morte, dumha banda pom-se fim à soberania líbia mediante as dívidas contraídas com occidente, coma sempre em meio dumha guerra, e assumindo nom só a dívida do bando ganhador mas também com toda certeza as dívidas da Líbia de Khadaffi. Doutra banda, esmagará-se o nível de vida da populaçom local e provavelmente vivirá-se umha involuçom nos direitos colectivos e individuais baixo a extrema direita islámica que já impuxo a lei islámica como fundamento do direito do futuro estado "democrático".

Prolongar a guerra de Líbia era umha boa forma de nom sujar as maos directamente enquanto os impostos das populaçons dos estados occidentais (contrárias à guerra maioritariamente) pagavam os bombardeios, enquanto eles proprios som bombardeados por pacotes de mais e mais austeridade. Richard Armitage, ex-subsecretário de Estado indicou para o Iraque que a forma de conduzir a guerra da "coligaçom" fora demasiado branda. Em sua opiniom devia-se tomar nota de Alemanha e Japom após a II Guerra Mundial, quando a populaçom ficou exausta e profudamente paralisada (em estado de shock) a raíz do acontecido. Assim, umha vitória muito rápida frente às forças inimigas impediu que a gente se sinta atemorizada como nos casos aludidos e, portanto, "os EUA enfrentam-se a umha populaçom iraquiana à que o shock e a conmoçom nom lhe figérom efeito" [1].  O imperialismo dos direitos humanos, tal e como o historiador Eric Hobsbawn o tem denominado, mais umha vez actua seguindo o seu manual:

A persistência da firme linha de continuidade até o presente revela mais uma vez que os EUA parecem-se muito a qualquer estado poderoso. Perseguem os interesses estratégicos e económicos dos sectores dominantes da sua populaçom, ao som dumha fanfarria retórica sobre a sua dedicaçom aos valores mais elevados. Trata-se praticamente dum universal histórico, e é o motivo pelo que a gente sensata empresta pouca atençom às declarações de nobres intençons dos dirigentes ou os elogios de seus seguidores [2].

 A Líbia do ditador Khadaffi cumpre lembrar que era um estado com uns níveis de serviços sociais à cabeça do continente africano, com o nível educativo e a esperança de vida mais elevados de África algo que reconhecem até os que agora o pintam como inimigo público de Ocidente enquanto há dous dias se abraçavam a ele e nos diziam que era um "amigo" que combatia a Al-Qaeda [3].

Imaxe de O Garcia do Outeiro

Antom Fente Parada: Dossier economia

Antom Fente Parada: Dossier economia

O orzamento debe equilibrarse, o Tesouro debe ser reaprovisionado, a débeda pública debe ser diminuída, a arrogancia dos funcionarios públicos debe ser moderada e controlado o seu gasto, e a axuda a outros países debe eliminarse para que Roma non vaia á bancarrota. A xente debe apreender novamente a traballar, en lugar de vivir á conta do Estado. Marco Tulio Cicerón, ano - 55.

Dados os acontecimentos que sacudiron a Eurolandia nos últimos días e no risco inminente de quebra e intervención da troika no Estado español (que se efectivará probabelmente despois das eleccións xerais) o Grupo de Traballo da Mocidade Irmandiña achegamos um dossier com chaves para introducírmonos na economía e para interpretar o que acontece neste inicio dunha nova depresión, aínda máis profunda, dentro do ciclo destrutivo iniciado no sistema-mundo capitalista em 2008.  Esta crise foi analizada sinteticamente por Xosé Manuel Beiras en "Brañas e a crise que non cesa" (I, II, III, IV e V) e dun xeito atractivo e moi levadeiro no documentario Inside Job.

 Un sistema que asiste a "unha perda de confianza" sen precedentes como aponta Leonardo Boff e que os marxistas veñen denunciando desde a irrupción da utopía reaccionaria ultraliberal:

Estamos nos confrontando com esse dilema: ou deixamos as coisas correrem assim como estão e então nos afundaremos numa crise abissal ou então nos empenharemos na gestação de uma nova vida social, capaz de sustentar um outro tipo de civilização. Os vínculos sociais novos não se derivarão nem da técnica nem da política, descoladas da natureza e de uma relação de sinergia com a Terra. Nascerão de um consenso mínimo entre os humanos, a ser ainda construído, ao redor do reconhecimento e do respeito dos direitos da vida, de cada sujeito, da humanidade e da Terra, tida como Gaia e nossa Mãe comum. A essa nova vida social devem servir a técnica, a política, as instituições e os valores do passado. Sobre isso venho pensando e escrevendo já pelo menos há vinte anos. Mas é voz perdida no deserto. “Clamei e salvei a minha alma” (clamavi et salvavi animam meam), diria desolado Marx. Mas importa continuar. O improvável é ainda possível.

Alejandro Nadal fala dunha "Media noite na economía mundial", pois a austeridade conduce ao sistema-mundo capitalista para un beco sen saída e confirma o pronóstico da crise em W que está prestes a vir, unha segunda crise moitísimo máis forte nos centros capitalistas (Xapón, EUA e Eurolandia) e que probabelmente comece no sector financeiro chinés tal e como o crack do 29 (na época da hexemonía británia na fase do declive e, xa que logo, da financiarización e que puxo fin á globalización ordenada polo Imperio británico) comezou en Wall Street, ou sexa, na potencia hexemónica que após o caos da II Grande Guerra (1939-1945) remataría por por orde no sistema-mundo arredor de Wall Street e os acordos de Bretton Woods, dinamitados na crise-sinal da Guerra do Vietnán. Algúns autores, porén, como é o caso de Boff vén nesta a crise terminal do capitalismo porque a súa expansión cada vez máis grande (desde o proto-estado nerlandés, ao estado-continente-imperio norteamericano, pasando polo estado-nación-imperio británico) tópase por vez primeira cunha imposibilidade de orde física: o finito dos recursos do planeta. Marshall Auerback coincide na diagnose no seu artigo "Tempo de pánico" e denuncia que se está xogando para un foxo ao 95% da poboación mundial:

Os governos de vinte e oito países desenvolvidos atuaram de concerto para fazer baixar o preço do petróleo e salvar a recuperação económica mundial. Nestes últimos dez dias, os investidores profissionais, os especuladores e os habituais manipuladores parceiros de viagem conseguiram torcer o braço desses governos, forçando de novo uma alça nos preços do cru. À vista do qual, e do terrível frente de dados económicos procedentes ultimamente da Europa, melhor fariam esses governos em procurar de novo uma via para evitar a especulação sobre os preços dos alimentos e dos combustíveis: caso contrário, a Grande Recessão, Segunda Parte, aguarda-nos à volta do canto.

Xosé Manuel Beiras: A fraude da austeridade

Xosé Manuel Beiras: A fraude da austeridade

Ía escribir "falacia" no canto de "fraude", mais rectifiquei a tempo. Porque a mal-chamada "política de austeridade" non só é falaz, senón tamén fraudulenta. Falaz, si, dixen. E éo porque encobre unha falsidade. Austeridade é o contrario de desbaldimento, destrago, despilfarro -de recursos, ingresos, patrimonio. Ou sexa, o contrario de lles dar aos recursos dos que se dispón un uso indebido, un destino que os destraga inútelmente, unha aplicación que os esteriliza económica e socialmente -que os "bota a perder". Austeridade é o contrario de gasto suntuario, por caso. O contrario do que fan as oligarquías dominantes nunha "sociedade opulenta", do que fai a plutocracia financeira no universo da especulación.

Daquela, unha política "de austeridade", para ser tal, debera de consistir en impedir que os grupos sociais opulentos, as minorías sociais que "nadan na abundancia", os plutócratas que se enriquecen descomunalmente na especulación, destraguen ao seu antoxo as enormes fortunas que amasaron, e consumen así o desbaldimento de inxentes recursos económicos que son necesarios para o benestar do conxunto da cidadanía. Noutras verbas: impedir que se "esterilice" socialmente o "excedente económico" enxendrado pola forza de traballo das xentes do común e do que se aproprian en exclusiva as clases dominantes en calquer sistema no que non se opere unha equidistribución do produto e o ingreso sociais. Ora, nada diso fan as políticas "de austeridade" que andan a decretar, supostamente para remediaren a crise, os governos que padecemos.

E pola contra: nada ten de destrago, e en nada resulta incompatíbel coa austeridade, destinar recursos orzamentarios abondos a finanzar servizos públicos e sociais de calidade na sanidade, no ensino, na cultura, na esculca científica, na seguridade social, na cobertura do desemprego, na atención aos nenos e ás nais, na xubilación dos vellos que traballaron durante toda a sua vida "útil" -ou, non digamos xa, na provisión de fondos para unha "renda básica" que calquer sociedade "civilizada" debera ter establecida a estas alturas da historia. Mais veleiqui o paradoxo: son mesmamente esas castes de "gastos públicos" as primeiras vítimas das políticas que os governos denominan "de austeridade", os primeiros destinos de recursos orzamentarios que se suprimen ou demoucan. Xa que logo, esa denominación encobre un engano, os governos míntenlles aos cidadáns do común: a austeridade que predican é unha falacia.

Xosé Manuel Beiras: Glosa(s) encol da esquerda (imaxinaria) IV. "Que se lisquen todos!"

Xosé Manuel BeirasXosé Manuel Beiras: Glosa(s) encol da esquerda (imaxinaria) IV. "Que se lisquen todos!"

Tómolle emprestada a Naomi Klein (*) -e tómolla Sen Permiso- a cabeceira dun moi breve e sarcástico texto seu de hai uns meses. Tómolla para enfiar a miña prédica do día pasado co que nela vos dicía que me faltara por vos contar: qué leituras recentes me suscitaran a relembranza do famoso aforismo hindú que di "cipaios austeros, fame segura". Porque o asunto era -recordaredes se cadra- o lerio da austeridade. Millor dito: das "políticas de austeridade" ultraliberais aplicadas mesmo en tempos de crise e fase de depresión -económica e tamén síquica colectiva, ou sexa sicose social, ou?

Esa frase rotular tomouna emprestada a Klein, á sua vez, da consigna que verraban os irados cidadáns arxentinos nos catastróficos tempos do célebre "corralito", e aplícallela aos recentes episodios de revoltas populares en países tan diferentes como Grecia, Corea (do Sul), Islandia ou Letonia. "Levou o seu tempo -ironiza Naomi Klein- mais, ao cabo, dende Islandia a Letonia, pasando por Corea do Sul e Grecia, o resto do mundo está a chegar á mesma conclusión: que se lisquen todos!".

Nefeito, na fría Islandia -fría por fóra e por riba, mais quente por dentro e por baixo, sabémolo- "as estoicas matriarcas islandesas reproducen as tácticas que se fixeran famosas en Bos Aires: un eco da carraxe colectiva contra unhas elites que coidaron poder destruiren de balde un país outrora próspero". E cita a unha oficinista moza feita: "Estou farta de todos istes. Non fío no governo, non fío nos bancos, non fío nos partidos políticos, non fío no FMI" -só lle faltaba engadir aquilo da nosa cantiga popular, feminista avant la lettre, "nen fies nos homes, que son uns malandros". "Tiñamos -prosegue a moza oficinista- un país estupendo, e todos ises acabaron con il". Así que a aquela xente non lle abonda cun cambio de governo: esixen axudas ao povo, e non aos bancos, e responsabilidades penais aos causantes da desfeita.

Xosé Manuel Beiras: Construir o altermundo

Xosé Manuel BeirasXosé Manuel Beiras: Construir o altermundo
Reflexionar sobre o momento no que se atopan o movemento alterglobalización é crucial. Ao día de hoxe, este movemento representa un imaxinario colectivo capaz de tecer alianzas e de romper o silenciamento

No mes de novembro de 2002 afundiuse, despois dunha peripecia surrealista, un buque, o Prestige, fronte da costa do noso país, e emerxeu algo que semellaba que xurdía por xeración espontánea. Chamouse movemento Nunca Máis. Eu dixera naquela ocasión que se esmendrellara o Estado e emerxera a Nación, no sentido propio do concepto; a cidadanía. Eu rememoro con certa frecuencia o que aconteceu daquela e despois, cando reflexiono sobre o reto e o posíbel impasse no que se atopa o conxunto do movemento antiglobalización (concepto que eu prefiro ao de altermundialista), na medida en que pasou da simple negación do que non se acepta, á afirmación do que cómpre facer. E iso é o que resulta máis difícil.

Se pensamos nos nosos clásicos, sempre se di que Marx, Engels e mesmo os que seguiron o curso do pensamento marxista foron moi capaces de facer a crítica da economía política a fondo, de debullar moi ben o sistema capitalista, pero non foron quen, non lles deu tempo, de elaborar o deseño da sociedade alternativa, a socialista, e houbo que construílo na práctica, ensaialo, por primeira vez, na revolución soviética.

O máis difícil é elaborar o deseño do altermundo que se pretende por parte dos movementos antiglobalización. Precisamente a experiencia dos foros está dando lugar a que se chegase á conclusión de que xa se matinou e xa se reflexionou abondo. Os foros foron o lugar de encontro e de artellamento, de posta en intercomunicación, de deseño de posíbeis tácticas ou liñas estratéxicas conxuntas dunha diversidade de movementos sociais, mais agora cómpre dar o paso seguinte, que pasa pola instancia política.

Xosé Manuel Beiras: A crise, unha e trina

Xosé Manuel BeirasXosé Manuel Beiras: A crise, unha e trina

Si, cáseque tan enigmático, de primeiras, coma o misterio fabulado pola patrística cristián dos remotos tempos iniciais para ideoloxizar o inespricábel. A fin de contas, acaso non convirtiron a economía nunha teoloxía profana os economistas ao servizo do sistema imperante, os entronizadores do dogma do mercado omnisciente como divinidade plutocrática infalíbel?. A empezar polos mercados financeiros, naturalmente. E, se cadra, non foron os mercados os que se trabucaron e marraron o tiro nos pronósticos -ao cabo, os artefactos mecánicos, sexan reais ou virtuais, nen se trabucan nen acertan, só funcionan maquinalmente, ou sexa, operan, iles si, en función dun determinismo mecánico e non dialético. Os que se trabucaron foron os teólogos e apoloxetas disfrazados de científicos teorizadores do "economics" que tentaron erixir eses artefactos en entes dotados de razón e vontade, ou sexa, capaces de pensar, sentir, pronosticar e decidir. Mesmamente aí comeza o grande fraude inteleitudal e moral: na ocultación dos auténticos actores, dos individuos e grupos humáns constituidos en centros de poder e decisión, detrás de impersonais e deshumanizadas entelequias mecanicistas kafkianas imposíbeis de incriminar e meter no trullo no seu caso polas desfeitas sociais causadas no universo mundo planetario.

Aínda o mes pasado, Sasan Fayazmanesh, solvente profesor na Universidade do Estado de California, escribía, con moi fino humor satírico, un relatório de "despropósitos dos "expertos", para merecido descrédito da teoría económica ortodoxa", dende a Gran Depresión encetada co crac do 29 até a crise financeira actual. Dende o prestixioso e afamado Irving Fisher invocado con culto de latría en tódolos manuais de economía do meu tempo de estudante, e inda hoxe tamén, quen, en vésperas do "martes negro", diagnosticaba "un nível de cotización permanentemente alto" dos valores en Wall Street, e meses despois do crac pronosticaba "perspectivas brillantes cara o futuro" -a Gran Depresión só ía durar nove anos aínda. Até as peregrinas e mesmo ás veces surrealistas espricacións da crise financeira actual, dadas todas a posteriori, cando o certo é que "ningún dos economistas ortodoxos que hoxe proliferan nos medios espricando as causas dos destragos do 2008 foi capaz de predecir a crise".

"Por qué se trabucaron tánto os expertos?" -pregúntase o profesor Fayazmanesh. A resposta é anonadante: "porque a teoría económica (académica) é unha disciplina científicamente subdesenvolvida, desvergoñadamente dominada pola pura ieoloxía". Esa teoría "non habita no mundo real no que vivimos, senón nun mundo sen clases sociais, composto de "consumidores" e "produtores"... Nese mundo non hai historia... Ese mundo irreal, insípido e a-histórico debería ter sido abandonado hai moito tempo... Noutras verbas: non había nada na caixa de ferramentas da teoría económica da época da Gran Depresión, nen hai nada na da versión moderna da teoría económica ortodoxa, que permita entender a natureza dos desplomes económicos graves e predicilos". Porén, eses fenómenos abruptos "non son nada novo na historia da economía capitalista", senón intermitentes e relativamente frecuentes ao longo dela. Están na lóxica do sistema: "Unha economía na que os bens non se producen para o seu uso, senón para tirar beneficios, está abocada aos excesos e ás enchentas. E ademáis, nun sistema económico no que a conduta consumista se considera una virtude e a cobiza dáse por boa, é de esperar a creación incesante de novos e exóticos instrumentos ou "produtos" financeiros que permitan esbullarse os uns aos outros en Wall Street". En suma: poderíamos concluir que a actual crise financeira ven ser algo así como unha monumental gastro-enterocolite do capital-diñeiro, ou?. Por certo: un síndrome que, na actualidade, non adoita matar ao paciente.

Xosé Manuel Beiras: Nace o Foro Social Galego, coa crise ao fondo

Xosé Manuel BeirasXosé Manuel Beiras: Nace o Foro Social Galego, coa crise ao fondo

Comezou con bo pé. Co pé esquerdo, quero dicir. E rematou coa decisión asemblearia de camiñar coas dúas pernas -pensamento e acción- nun constante proceso de análise e mobilización a prol de alternativas contra a globalización capitalista ultraliberal e a sua crise, pensadas e activadas coas chaves da nosa peculiar identidade cultural e social. Estou a falar do primeiro Foro Social Galego, convocado a finais de xaneiro deste mesmo ano por unha manchea de orgaizacións sociais galegas, xestado por unha comisión aberta que traballou arreo dende aquela, e celebrado o pasado fin de semana en Compostela. Na tardiña do venres, o acto de apertura, que se tiña pensado realizar na recoleta "sala circular" do Auditorio de Galiza, houbo que trasladalo, en vista da inesperada afluencia inaugural de participantes, a unha das salas de concertos dese mesmo recinto: a Sala Mozart. Qué millor advocación para esa "obertura" que a do músico xenial que ousou rebelarse contra o seu amo e señor de Salzburgo, o cardeal Coloredo, e que compuxo, en vísporas da Revolución Francesa, unha ópera para cada un dos tres ideais revolucionarios: "O rapto no serrallo", para a liberdade; "As vodas de Fígaro", para a igualdade; e "A Frauta Máxica", para a fraternidade. Repleta a Sala Mozart de xente moza e menos moza -coma min mesmo. De pé, no escenario, convirtido en tribuna popular, unha ringleira de membros da comisión orgaizadora, que foron dando as primeiras espricacións sobre o feitío, finalidades, principios e contidos do Foro, e lendo as adesións recibidas -Susan George, Chico Witaker, Bernard Cassen, Frei Betto, Ignacio Ramonet, Leonardo Boff, Eduardo Galeano, Boaventura de Sousa Santos, Mayor Zaragoza...

* * * * *

Asumindo a Carta de Principios do Foro Social Mundial, o Foro Social Galego (FSGal) autodefínese como "un espazo aberto de debate democrático de ideas, de afondamento da reflexión, formulación de propostas, intercámbeo de experiencias,e artellamento de movementos sociais, redes e outras organizacións da sociedade civil que se opoñen ao neoliberalismo e ao asoballamento das persoas polo capital, e que denuncian calquera forma de imperialismo".

O FSGal "caracterízase pola sua pluralidade e diversidade", e ten "un carácter non confesional, non gubernamental e non partidario". Pola mesma, ao ser un espazo aberto de encontro e artellamento dos movementos sociais, que son os protagonistas da acción participativa dos cidadáns, o Foro, como tal, non pretende arrogarse o rol dunha "instancia representativa da sociedade civil galega ou mundial". O seu cometido é "acadar a confluencia e a visualización de alternativas á globalización neoliberal, propostas dende un amplo abano de movementos sociais".

Xosé Manuel Beiras: Galiza no Foro Social Europeu. II. Unha nova Europa construída dende os povos

Xosé Manuel Beiras: Galiza no Foro Social Europeu. II. Unha nova Europa construída dende os povos

Foi ise o tema do Seminario que protagonizamos no FSE de Malmö. E abofé que non estou a empregar un plural "maiestático". Falo en plural porque plural foi o protagonismo dese seminario, plantexado en forma de mesa redonda. O rótulo co que aparecía enunciado no programa do Foro dicía, literalmente, "O dereito de autodeterminación: unha nova Europa fundada nos dereitos dos povos". E unha breve alusión orientativa ao contido temático acompañaba a ese rótulo: "Diferentes experiencias confirman a forza do dereito de autodeterminación e os dereitos das minorías nacionais como un elemento progresista na loita contra a globalización neoliberal. A fonte dun internacionalismo realmente solidário está na autodeterminación das nacións, na sua liberdade para transformar a Europa neoliberal nunha Europa Social dos Povos".

O Seminario fora proposto, por iniciativa conxunta galega, catalá e vasca, a traveso da Rede CONSEU (Conferencia de Nacións sen Estado de Europa), de xeito que a Fundación Galiza Sempre, o CIEMEN catalán, e máis a Askapena euskaldún iamos ser o protagonista colectivo e plural do debate como ponentes da mesa redonda. Mais acordamos encetar un labor de colaboración entre a FGS e a CIG, que participa activamente no FSM dende a sua fundación, elaborando en man común a ponencia galega. Así se fixo e, en Malmö, Macías e máis eu combinamos para a sesión con Moncho Boán, que leva as relacións internacionais da CIG -inda que apandei eu coa defensa da nosa tese no debate. Disque non saín mal librado.

A nosa participación nesa palestra tiña dous obxectivos cardinais. Un, facer presente a Galiza e dar razón da cuestión nacional galega. Outro, expór a nosa diagnose da UE e a nosa posición encol dunha Europa alternativa baseada nas comunidades nacionais, no contexto da dialéctica entre as realidades e dereitos dos povos/nacións e a globalización ultraliberal. Ofrézovos, a seguida, algúns anacos escolmados dese texto, rotulado "A perspectiva da nación galega", e estruturado en catro seccións: "Antecedentes do nacionalismo galego"; "Povos e globalización"; "Crítica da Unión Europea"; e "Alterglobalización e cuestión nacional". Velaí vos van.

Xosé Manuel Beiras: O IVº Reich

Xosé Manuel BeirasXosé Manuel Beiras: O IVº Reich

O IIIº montárano para que durase mil anos -e andou a piques de acabar coa humanidade nun só decenio. O IVº camuflárono para prolongarlle cen anos a vida ao capitalismo selvaxe depredador, coas receitas do "Informe Lugano"- e leva camiño de acabar co planeta na metade dese tempo. Segue unha máxima simplicísima: quen veña detrás, que arree. Pero, detrás, xa non virá ninguén. Désta non haberá supérstites: só, tal vez, os alacráns afeitos ao deserto e algunha víbora desas que non se torran nas areas ardentes a máis de sesenta degraos.

Estamos nas mans diles: delincuentes, mintiráns, estafadores, desaprensivos, torturadores, desalmados, ecocidas, etnocidas, xenocidas, autores ou cómplices de crimes contra a humanidade. No imperio da lei e a orde, por iles tan proclamadas, deberan estar no trullo, ou internados en reformatorios "ad hoc". Mais andan ceibos. Qué digo: monopolizan a liberdade, iles sós, en esclusiva. Detentan un poder económico e político a cada paso máis omnímodo, co que escravizan impunemente ao resto da humanidade. Os máis notorios, no escaparate mediático, son sete homes e unha, disque, muller. Cinco diles, europeus; catro diles, da UE. Son o Presidium do IVº Reich. Xúntanse para amañaren as taifas do imperio e impóren a lei do silenzo. Os problemas, se é que os hai, poden agardar. Os problemas da xente, do planeta enteiro. Até o 2050: ningún diles aló chegará -e quen veña detrás, que arree, xa dixen, é a sua máxima. E se daquela non hai ninguén, tanto lles ten a iles: "après moi, le déluge", após de min, o diluvio -jo, jo!: dioivo sen auga, ónde tal se viu? Pra festexáreno, retrátanse simulando plantaren arboliños, con pás de xoguete, coma nenos -perversos- na praia, só que en garabata e americana, todos clónicos. Son homínidos ou androides?. Qué noxo dan!

Xosé Manuel Beiras: Coma en Irlanda!

Xosé Manuel BeirasXosé Manuel Beiras: Coma en Irlanda!

No orixinal, literalmente: "...e Irlanda libre / berra que berra / vence aos tiranos/ d"Ingalaterra. / Xa non son servos / os labradores!... / Xa non hai foros / nin hai siñores! / Ergue labrego! Érguete e anda! / Coma en Irlanda! Coma en Irlanda!". Hai cousa dun século e cuarto que foron escritos estes versos. Millor diría: esta arenga versificada. Autor? Non, evidentemente non é Curros: literariamente dista de dar a sua talla. Tampouco un émulo seu con pretensións de poeta. Trátase de alguén que só ocasionalmente escribíu versos, inda que unha das suas escasas composicións, musicada polo mestre Taibo, foi o primeiro Hino Galego composto, impreso e interpretado como tal. Levaba por tíduo o lema dos Irmandiños, "Deus Fratresque Gallaecia": "Casta dos celtas ¡esperta axiña! / ¡ergue do fango da escravitú!" -así comezaba. Gardo nos xa remotos recantos da miña memoria infantil a lembranza de térllelo escoitado cantar, con moita emoción, a venerábeis supervivintes das Irmandades da Fala e do Partido Galeguista en xuntanzas de amigos ao abeiro da privacidade doméstica.

Coido que agora xa adiviñades. O autor non pasou á memoria colectiva da nosa historia polos seus versos. Pasou, digo, pasa por ser o teorizador dun simples "rexionalismo", e moi conservador e católico il. Retratárao Fenollera arrandeándose apacíbelmente nunha bambeeira, como un persoaxe da "leisure class" de Veblen, cun aquel "nonchalant" e vagaroso, distante e alleo a calisquer conflitos sociais: ninguén adiviñaría nesa figura a un ardido defensor dos labregos foreiros, inda menos ao autor de soflamas en verso incitándoos a soerguerse... coma en Irlanda! Si. Chamábase Alfredo Brañas. Finou ainda novo, hai agora cento e oito anos. Pronosticara a liberación de Irlanda, a sua "constitución" como "unha nova nacionalidade" en Europa. É evidente que acertou.

Xosé Manuel Beiras: O exterminio do campesiñado

Xosé Manuel Beiras: O exterminio do campesiñado

É talmente iso, un exterminio. Calquera outro vocábulo cun valor significante menos rotundamente terminal viría ser un eufemismo. E non valen eufemismos para expresar a traxedia que está a padecer o campesiñado galego. Non valen moralmente, porque o simples feito de utilizalos convirtiríanos en cómplices encubridores dos poderes e forzas económicas que están a consumar esa falcatruada. E máis constituiría tamén unha treizón á traxectoria secular do nacionalismo galego e, portanto, ao cerne da conciencia social do noso povo e á fonte máis limpa das suas enerxías para a loita pola propria existencia colectiva. Para a revolta, se é ise o vieiro que compre escoller para exercermos a dignidade, para conseguirmos o benestar social, para sermos un povo ceibe, para liberármonos de calquer caste de tiranía que coute as nosas mans e tolla o noso esprito. Mais tampouco non valen os eufemismos semánticamente, porque só ao dicirmos exterminio empregamos a verba que define certeiramente o resultado dun proceso de extinción desencadeado e consumado a mantenta por un axente exterminador doadamente identificábel: o voraz capital depredador.

* * * * *

Se o poder político non impediu, primeiro, nen atallou, até agora, ese proceso exterminador, non foi por falla de diagnoses, pronósticos e terapias enunciadas e postas ao seu dispor dende o seo da sociedade civil galega. Diagnoses acertadas da patoloxía socioeconómica do sistema agrario labrego, elaboradas no ámbito das ciencias sociais polo pensamento galeguista dende ben antes de que se encetase a destrución -que non modernización- dese sistema e que o campesiñado galego fose abocado a un proceso de extinción. Pronósticos abesulladores da previsíbel evolución do conflito de clase e de culturas entre o campesiñado indíxena e o capitalismo colonial nesta periferia fisterrán peninsuar e europea. Terapias de posíbel e necesaria aplicación polas elites dirixentes e o poder político para sandar o maltreito corpo social labrego, rexenerar as estruturas e fontes enerxéticas da economía agraria e abrirlle o camiño ao desenvolvemento endóxeno e autocentrado do mundo rural galego. Non foi, repito, por non disporen a clase dirixente e o poder político do noso país de cadros diagnósticos solventes, prognoses certeiras e terapias acaidas de probada eficacia noutras latitudes de fasquía socieconómica agraria análoga á nosa.

Non, non foi por nada diso. Foi por treizón e deserción. Unha clase dirixente que reiteradamente atreizoóu á xente do común labrega. Un poder político que reiteradamente desertou da fundamental obriga contraida cos cidadáns labregos que o elixiran para representárenos na defensa dos seus dereitos e intereses. Nen a clase dirixente foi lúcida e solidaria verbo do país e do común cidadán: foi estúpidamente pitoña e insolidaria. Nen o poder político cumpliu o contrato de fideicomiso asinado cos eleitores: esgazouno para non molestar ao poder económico depredador da economía labrega.

Xosé Manuel Beiras: Un foro social galego. XIII. 2005: O Manifesto de Porto Alegre

Xosé Manuel Beiras: Un foro social galego. XIII. 2005: O Manifesto de Porto Alegre Xosé Manuel Beiras

Dicíavos o día pasado que a esperiencia de desprazar a cimeira do FSM, no 2004, de Latinoamérica ao continente asiático, en Mumbai, sáldase cun éxito rotundo: o Foro sai dela redimensionado e hiperactivo, a ferver a cachón. De xeito que cando, no 2005, retorna a Porto Alegre, alén de abordarse o labor de repensalo nos planos orgaizativo e metodolóxico -para afortalar a eficiencia e a democracia interna dun movemento que ven de medrar a grandes saltos en dimensión e complexidade- pasan a un primeiro plano dos debates tanto a faciana altermundialista, construtora de alternativas ao sistema globalizado, canto a sua traslación á instancia política.

É nese contexto no que se elabora o "Manifesto de Porto Alegre", que formula "Doce propostas para Outro Mundo Posíbel". Dado o valor sintomático dese documento, que marca un ponto de encrucillada no proceso do FSM, opto por traducilo e transcribirvolo na sua literalidade.

Xosé Manuel Beiras: Un Foro Social Galego. XII. O FSM de Porto Alegre-2001 a Mumbai-2004 (II)

Xosé Manuel Beiras: Un Foro Social Galego. XII. O FSM de Porto Alegre-2001 a Mumbai-2004 (II)Xosé Manuel Beiras

Nós "somos mulleres e homes labregas e labregos, obreiras e obreiros, asalariados, estudantes, parados, pobos indíxenas e negros, procedentes do Norte e do Sur, comprometidos na loita a prol dos dereitos dos pobos, da liberdade, da seguridade, do emprego e da educación. Nós estamos contra a hexemonía do capital, a destrución das nosas culturas, o monopolio do saber, os medios de comunicación de masas, a degradación da natureza e da calidade de vida causada polas corporacións transnacionais e as políticas antidemocráticas. Nós reafirmamos a supremacía dos dereitos do home e do cidadán, dos dereitos da ecoloxía e dos dereitos sociais sobre as esixencias do capital e dos investidores".

Xosé Manuel Beiras: Un foro social galego XI. O FSM de Porto Alegre-2001 a Mumbai-2004 (I)

Xosé Manuel Beiras: Un foro social galego XI. O FSM de Porto Alegre-2001 a Mumbai-2004 (I) Xosé Manuel Beiras

Porto Alegre vai ser a sede das tres primeiras edicións anuais do Foro Social Mundial, celebradas consecutivamente nos meses de xaneiro do 2001 ao 2003. A fulgurante expansión da participación nesa cimeira -auténticos encontros asamblearios de alcanzo universal- desencadea, no curto prazo de tres anos, unha veloz difusión do FSM polos máis diversos recantos do planeta, tánto na periferia coma no centro do sistema. Con esta singular característica: non é tanto que agromasen novas orgaizacións e movementos cívicos e sociais canto que, primordialmente, emergullaron dende a penumbra, "visibilizáronse" e reactiváronse moitas que xa existían nos diferentes países e andaban a loitar en cadanseu ámbito social e cadansua área temática de combate fronte aos problemas causados ou exacerbados pola globalización imperialista. E descobríronse unhas ás outras, recoñecéronse recíprocamente na tarefa común a todas elas -e buliron a tecer a urdime do FSM, xa non só como evento anual duns poucos días de duración, senón como acontecer cotián e labor permanente de colaboración no pensamento e na acción fronte ao belicista ultraliberalismo do "capitalismo do desastre", que diría Naomi Klein.

* * * * *

Como catalizadores dese proceso de nova "revolución permanente" -atípica, claro é- comezaron a orgaizarse, imediatamente após o primeiro Porto Alegre, edicións continentais do FSM -que a seguida proliferarían a nivel estatal, nacional e sub-estatal, segundo a morfoloxía do artellamento político-institucional dos diferentes povos e comunidades nacionais. En Europa, os primeiros Foros comezan a partir do madrugador precedente do "Congreso cidadán europeu", que se celebra en Liexa en setembro do 2001 e constitue unha réplica fulminante ao drama acontecido en Xénova un par de meses antes: a premeditada demonización mediática e salvaxe represión policial berlusconián da enorme mobilización -arredor de trescentos mil cidadáns- contra a cimeira do G-8, que se saldara coa morte do mozo Carlo Giuliani, centos de feridos e o intento de criminalizar e dividir o movemento anti-globalización en Europa.

Distribuir contido